O meu! Descobri que tem uma linha de ônibus que vai direto para a rua da minha empresa. O ponto na 9 de Julho é a 50 metros de casa. Perfeito.
Engraçado que em São Paulo, quem tem carro em geral não tem o reflexo de verificar se existe uma opção de transporte público. Eu só tinha este reflexo quando era estudante desmotorizado. E não sejamos hipócritas, ingênuos ou polianas: as pessoas não pensam nisso simplesmente porque o transporte público em São Paulo é de forma geral ruim. E o carro é o modo de transporte individual mais eficiente.
Mas fato é que em 2008, ficou visÃvel que a cidade está próxima de um colapso. Estamos batendo recorde atrás de recorde em kilómetros de vias congestionadas. São Paulo está parando! Mas a real ironia disto tudo é que dependendo de onde você pretende ir de carro, parar é algo extremamente cansativo e estressante. A Vila OlÃmpia, onde eu trabalho, é um desses casos. Todos os estacionamentos (ou pedaços de terrenos abandonados que o povo chama de estacionamento) estão lotados, com filas de espera de gente querendo ser mensalista. As poucas vagas disponÃveis nas ruas são preenchidas logo cedo, por volta das 7h da matina (horario impossÃvel pra mim).
Como eu falei no meu post “Bonde é legal“, o grande desafio para desafogar o trânsito hoje é fazer com que as pessoas que utilizam carro diáriamente passem a utilizar algum tipo de sistema coletivo: bonde, ônibus, metrô, van, carona. Grande parte das pessoas que trabalham na Vila OlÃmpia (e em muitos outros bairros da cidade) se encaixam no perfil “paulistanos que usam carro diariamente”. Cada vez mais eu penso que deveria ser colocado em prática um sistema de transportes executivos que fossem de bairros chave para bairros chave, e que a prefeitura deveria oferecer algum tipo de incentivo para este tipo de transporte.
Mas voltando ao assunto inicial, eu decidi pegar o ônibus. Tem algumas desvantagens, como o desconforto em certos horários. Mas tenho a vantagem de ter um horário bastante flexÃvel que me permite pegar ônibus em horários mais tranquilos (tenho também uma namorada que trabalha numa região próxima à minha, o que pode ser prático em dias complicados). E tem a vantagem de ser bem mais rápido nos corredores: os meus trajetos de ônibus foram sempre pouquÃssimo mais longo do que de carro, inclusive em dia de grande engarrafamento. E eu ainda economizo na gasolina, desgaste, estacionamento e sobretudo na paciência.



5 respostas so far ↓
Ricardo Capitanio // Abril 9, 2008 Ã s 1:30 am
Parabéns pela iniciativa. São Paulo tem um sistem de transporte privado de primeiro mundo e um sistema de transporte público de quinto!
abraços
Danilo // Abril 25, 2008 Ã s 1:14 pm
Faz parte tb estrutura para dar suporte a quem usa a bike no dia a dia. O que digo por exemplo é disponibilizar para deixar as magrelas com segurança próximo a terminais de onibus, trem e metrô. Se vc anda 5K ou 7K de bike é tranquilo.
Márcio Campos // Maio 1, 2008 às 3:15 am
Nunca tirei minha habilitação, sempre usei transporte público, driblando as dificuldades, esse esquecimento crônico em que vive o sistema de transporte em São Paulo. Até que descobri que a bicicleta é uma redenção, da irregularidade dos horários dos ônubus, dos congestionamentos imprevistos, da superlotação do metrô, dos grandes tempos de deslocamentos diários.
Hoje só sei o que é decidir ir e chegar sem estresse, a todo lugar.
Parabéns por deixar seu carro na garagem , o planeta agradece, a cidade agradece, e eu(todos nós), que respiro esse ar tóxico idem.
Márcio Campos
panoptico // Maio 1, 2008 Ã s 5:28 pm
Ei, Márcio.
O motorista vive num mundo diferente da maioria. A questão é que, geralmente, ele só convive com motoristas e, enfim, acredita que faz parte de uma maioria. Que os problemas de estacionamento, trânsito, multas, IPVA e cia são preocupações de todos os paulistanos.
Não é a realidade, a maioria está preocupa com a lotação dos ônibus, com o horário do serviço e, claro, com o trânsito. O solo é o mesmo, neste sentido, estamos no mesmo barco, na mesma cidade.
Perceber o entorno, o mundo para além do seu dia-a-dia particular, é muito mais do que uma opção entre este ou aquele transporte.
Esta abertura é que permite percepções como a que você teve.
Desta abertura de olhar sempre surgirão reflexões sobre assuntos ilimitados. A partir destas cada um tomará suas decisões.
O grande lance em São Paulo é que as pessoas estão fechadas dentro de uma forte cultura do automóvel que impede olhares reflexivos como o que você relatou para nós.
Foi isso que me chamou mais atenção no seu relato. Mais do que uma opção pelo certo, pelo ônibus, pelo carro ou pela bike, esta a opção pelo questionamento de uma cultura, de um hábito.
Acho isso importante. O certo e o errado mudam, hoje é isso, amanhã pode ser aquilo. O olhar atento e a mente debloqueada são essenciais para perceber as mudanças, tomar decisões e tocar pra frente.
Abraço e sorte!
panóptico
panoptico // Maio 1, 2008 Ã s 5:29 pm
O motorista vive num mundo diferente da maioria. A questão é que, geralmente, ele só convive com motoristas e, enfim, acredita que faz parte de uma maioria. Que os problemas de estacionamento, trânsito, multas, IPVA e cia são preocupações de todos os paulistanos.
Não é a realidade, a maioria está preocupa com a lotação dos ônibus, com o horário do serviço e, claro, com o trânsito. O solo é o mesmo, neste sentido, estamos no mesmo barco, na mesma cidade.
Perceber o entorno, o mundo para além do seu dia-a-dia particular, é muito mais do que uma opção entre este ou aquele transporte.
Esta abertura é que permite percepções como a que você teve.
Desta abertura de olhar sempre surgirão reflexões sobre assuntos ilimitados. A partir destas cada um tomará suas decisões.
O grande lance em São Paulo é que as pessoas estão fechadas dentro de uma forte cultura do automóvel que impede olhares reflexivos como o que você relatou para nós.
Foi isso que me chamou mais atenção no seu relato. Mais do que uma opção pelo certo, pelo ônibus, pelo carro ou pela bike, esta a opção pelo questionamento de uma cultura, de um hábito.
Acho isso importante. O certo e o errado mudam, hoje é isso, amanhã pode ser aquilo. O olhar atento e a mente debloqueada são essenciais para perceber as mudanças, tomar decisões e tocar pra frente.
Abraço e sorte!
panóptico
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